Comentários

20 03 2010

"Sócrates prometeu a Reforma do Estado. O que temos é a Face Oculta", Clara Ferreira Alves, simpatizante do PS, in SIC Notícias, domingo 21 de Março.

"Sempre disse que Sócrates não era da esquerda. Ideologicamente é o vácuo. [...] e vai deixar o PS esfrangalhado" Idem.

"Vara [arguido no processo Face Oculta e suspenso do BCP] continua a receber o seu [exorbitante - a qualificação é de quem transcreve as palavras da comentadora- e, tendo em conta a competência do mesmo insígne político, poderá qualificar-se até de obsceno ] salário. E somos nós que vamos pagar tudo isso". Idem

Marques Lopes, no mesmo debate: "Na campanha eleitoral há 5 meses, [quando Francisco Louça em debate na TV com Sócrates, defendeu a abolição das deduções tipo PPR em matéria de IRS por constituirem um privilégio acessível apenas a quem consegue acumular poupanças, meta inatingível para a maioria da população portuguesa], o mesmo Sócrates acusou-o de querer atentar contra a classe média. Ora o governo acaba de fazer a vontade a Louçã abolindo essas deduções. [Sendo, pois, ele, Sócrates a atacar a classe média que 5 meses antes tanto acarinhava]. Se eu tivesse votado no PS, que não votei, continua Marques Lopes, sentia-me também "encornado" para usar o termo [tão do gosto] de Granadeiro".

E Daniel Oliveira, militante do BE, no mesmo debate da SIC Notícias, a propósito da greve dos pilotos da TAP: " Tenho imensas dúvidas sobre aquela greve".




Lixo e lixo

19 03 2010




Impostos, esbanjamento de recursos

19 03 2010

Extractos de um texto de Luis Campos e Cunha, ex-ministro do governo PS: "[...] Mas há alguns pecados neste PEC. Antes de mais e que fique claro, há subida de impostos. Não vale a pena escamotear a questão, entrar em linguagem cifrada ou em jogos de semântica: o IRS aumenta, como todos (ou praticamente todos) iremos ver e pagar. Para o mesmo rendimento bruto, uma família que ganhe pouco mais do que o salário mínimo, com as novas regras, vai pagar mais impostos. E a isso chama-se aumentar impostos. Por aumento de taxa ou por menores deduções fiscais de saúde ou educação, é irrelevante, paga-se mais. Dizer o contrário é perder credibilidade.

Segundo pecado: o adiamento de alguns dos grandes investimentos públicos não contempla adiar o TGV para Madrid e a nova ponte sobre o Tejo. Ou seja, o exemplo mais acabado de desperdício não foi cortado. Se há coragem a menos ou casmurrice a mais, não sei, mas é um péssimo exemplo. É natural que os outros ministros das Finanças europeus não se queixem, porque o negócio é bom para alemães ou franceses. Se Portugal, através do seu governo legalmente constituído, deseja fazer asneiras, para quê mais aborrecimentos, tanto mais que os beneficia. Para garantir os pagamentos dos investimentos no TGV-Madrid e os prejuízos de exploração anuais teremos menos despesa social em educação, na saúde e reformas mais baixas. As estradas secundárias ficam numa miséria, mas teremos um comboio de luxo. Quem não protesta, tem o que merece"




Lixeiras

18 03 2010

Sábado, mega intervenção ecológica: LIMPAR PORTUGAL

O Arcebispo Primaz de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, apoiou a iniciativa. Tal como o Exército português. Este cede viaturas, equipamentos, materiais indispensáveis para o transporte de resíduos e ainda mão-de-obra bem treinada. Bem como a Autoridade Nacional de Protecção Civil. Outras entidades também se associaram ao evento. A organização que lançou esta operação de carácter ambiental espera reunir mais de 100 mil voluntários com o objectivo de eliminar cerca de 12 mil lixeiras já sinalizadas de Norte a Sul do país. As associações ecologistas de Caminha e do Alto Minho, certamente, todas sem excepção, estarão presentes. Informem-se sobre o projecto e apareçam.

Adenda: o presidente ds República, A. Cavaco Silva, também participa. Integra uma equipa de limpeza actuaqndo em Sintra.




O tal computador infantil

17 03 2010

Extractos de um texto de J. Pacheco Pereira no Público de 15.03.10: "[...]  O mesmo irresponsável amadorismo acompanhou todo o processo, preparado também à pressa, com software cheio de erros, dependendo da produção da fábrica, e oscilando aos arranques, que deixavam numa mesma escola alunos com o "Magalhães" e outros sem ele, ou seja, tornando difícil a sua utilização colectiva numa turma.

Sabemos também muito mais coisas, umas que identificam graves obscuridades ainda não esclarecidas, outras que mostram que o mesmo amadorismo errático atravessou todo o programa, desde o enquadramento institucional bizarro, destinado a escapar ao concurso público, até à engenharia financeira completamente ao arrepio das normas da administração pública e do bom uso dos recursos do Estado. Como é possível que cada responsável venha com os seus próprios números, diferentes dos outros, mostrando que não existe qualquer verdadeira noção do dinheiro que já se gastou? Como foi possível gastar tanto dinheiro num programa que nos foi dito ser quase grátis? Como foi possível que, a olhar para os números - cerca de 930 milhões de euros, que na parte do e-escolinhas, serviu para comprar um milhão e 200 mil computadores -, o "Magalhães" seja um dos computadores, com as suas especificações, mais caros de sempre?

Como foi possível ter gasto todo este dinheiro desta forma amadora? Foi, porque este dinheiro serviu essencialmente para pagar um programa de propaganda governamental em vésperas de eleições. A nossa crise também vem aqui. Novecentos e vinte milhões de euros. Muito, muito dinheiro, para se brincar."

Nota: ou seja, calculado em escudos, cerca de duzentos milhões de contos!!!!!!!!!!! O socratismo irresponsável e esbanjador no seu estádio mais perfeito.




Tiro no pé

16 03 2010

Santana, bom e experiente orador, e nem todas as ideias que avança são para rejeitar, é no entanto possuído por uma egolatria obcessiva e desmedida. Para o combatente "menino",que outrora verteu lágrimas amargas junto à incubadora que o embalou para a liderança de um operático governo, o mundo é uma plateia de corações embevecidos perante a sua imagem, o seu génio, enfim, o seu carisma. Qualquer falha em tal adoração abre logo uma ferida insanável no seu sebástico e valoroso peito.

E assim, em Mafra, não pôde travar as más memórias desse passado que ainda o atormenta e não resistiu, do alto do palanque e em directo para o país, em servir a Cavaco Silva o famoso prato gelado da vingança. Perguntando-lhe, de forma ínvia, e não sem alguma ou até grande razão (que não a sua, PSL,mas a da história subsequente), se a "boa moeda" era a que exibe na sua face a efígie de J. Sócrates, o messias "socialista". O qual político-engenheiro, após a defenestração cavaco-sampaísta do infante combatente, veio substituir a "má moeda" santanista em São Bento e redimir da corrupção e do caos este tão mal tratado país. Mas não se ficou por aí, encapsulado e esbracejando no seu pesadelo alcácerquibirino, o ex-autarca da Figueira e de Lisboa. Zangado com os companheiros que então preferiram vê-lo pelas costas correndo o risco de verem o seu próprio partido derrotado nas urnas.Há momentos assim, quando o mal é tão evidente que só a catarse da derrota pode redimir uma instituição partidária que perdeu o norte. Ora para obviar situações análogas, Santana propôs a quarentena de opinião,em período pré-eleitoral,aos seus correligionários do PPD/PSD. No partido há só uma voz. E os mesmos gostaram. Um tiro no pé.




Privatizações

16 03 2010

Estes "socialistas" socratinos não cessam de nos espantar. Agora anunciam a privatização de empresas públicas com valia estratégica para o país e em geral lucrativas: PT, Galp, CTT, etc. ´Pelos vistos é necessário doravante incluir uma adenda aos textos fundadores do pensamento socialista. A saber, tudo o que é interrssante para o Capital deve ser privatizado. As empresas que só acumulam prejuízos essas são reserva da nação.

Nota: Já agora, a elite dos trabalhadores da TAP, os pilotos  (com salário mensal superior a 8mil euros e um rol infindável de benefícios), prepara-se, uma vez mais, para entrar em greve sabendo que o resultado imediato da mesma será um prejuízo para o Estado , ou seja, todos nós, de 30 milhões de euros. Isto é 6 milhões de contos. Com o rombo , a tentação será grande para igualmente colocar a empresa em hasta pública. Vendê-la.Será esse o desejo dos pilotos? Não creio. Eles sabem que o Estado acaba por pagar sempre.




Arguido- Face Oculta, prémio de 160 mil euros

16 03 2010

A José Penedos, presidente da REN, arguido no processo Face Oculta, envolvendo uma rede de corrupção incidindo sobre empresas públicas, e  que tem no sucateiro de Esmoriz o principal cabecilha e no ex-ministro do PS, A. Vara, o principal mediador, para além do salário auferido em 2009 (27 mil euros mensais), vai ser-lhe atribuído por proposta do representante do Estado naquela empresa um prémio anual de 160 mil euros.




Freeport

15 03 2010

Texto transcrito do Diário de Notícias: "Segundo a edição de hoje do 'Correio da Manhã' os investigadores ingleses do caso Freeport têm em sua posse um documento com referências ao pagamento de subornos para licenciamento do 'outlet' de Alcochete que refere, entre outros, o nome do primeiro-ministro José Sócrates.De acordo com o diário 'Correio da Manhã', a equipa de investigação inglesa do caso Freeport tem desde finais de 2009 um documento escrito pelo adjunto de um dos administradores do Freeport, Rick Dattani. O documento refere o nome do primeiro-ministro José Sócrates, do ministro da Presidência Pedro Silva Pereira e do ex-secretário de Estado do Ambiente Rui Gonçalves, e diz respeito ao pagamento de subornos para licenciamento do 'outlet' de Alcochete no valor de 2,2 milhões de euros. O 'Correio da Manhã' diz ainda que Rick Dattani confirmou ser o autor do documento, mas negou que os pagamentos tenham sido feitos. Se a existência deste documento implicar que sejam realizadas novas diligências na investigação ou que os envolvidos sejam inquiridos formalmente, a conclusão do inquérito ao caso Freeport prevista para o próximo mês – data indicada pela procuradora Cândida Almeida – poderá ficar comprometida.O processo relativo ao Freeport investiga alegadas suspeitas de corrupção e tráfico de influências no licenciamento do centro comercial, em 2002, quando o actual primeiro-ministro, José Sócrates, era ministro do Ambiente."




Um mau passo

13 03 2010

Tudo parece indicar que o pior dos candidatos do PSD será o vencedor das directas. A sua apetência pelo poder manifesta-se no desconhecimento dos mecanismos que definem internacionalmente a imagem e a credibilidade de um país. Numa fuga para a frente, voluntariosamente, admite a queda pura e simples do governo e a ida dentro de pouco tempo a eleições. Ora uma situação dessas, tal como um simples boato, como lembrou hoje no Plano Inclinado o dr. Silva Lopes, antigo ministro das finanças do PS, seria razão para uma brusca subida dos juros da dívida externa de 1% para 3%! O actual cenário da Grécia com todos os inconvenientes sociais que daí decorrem. Acaso o 1º ministro seja coagido a demitir-se, como parece impôr-se, então a responsabilidade é do PS. De um PS regenerado, capaz de purgar o partido das práticas induzidas ou consentidas pela actual liderança, e encontrar a equipa que possa recuperar a confiança dos portugueses e sanear, de uma vez por todas, a nossa vida pública. Mas será possível? Onde estão os responsáveis com capacidade para assumir a ingente tarefa, se, todos, ou praticamente todos, permanecem atolados num pesado silêncio comprometedor, incapazes de demonstrar autonomia crítica, incapazes de honrar quem se empenhou na construção de um país democrático?




Coisas feias

13 03 2010

Título no jornal de Negócios, fim-de-semana: ernando Ulrich, presidente do BPI: "Não tenho dúvida que se passam coisas feias no negócio PT/TVI"




Promessa

13 03 2010

Título do Correio da Manhã: "Sócrates paga promessa a Cordeiro. Face Oculta, negócio de 200 milhões para as Farmácias".




Bem

13 03 2010

 "Extractos de notícia divulgada pelo jornal digital Caminha@2000:

 "[...] Paulo Bento questionou a presidente do Executivo sobre o facto de o Júri de cinco membros ser presidido por um jurista da Sociedade Parque Expo 98, acompanhado por dois vogais escolhidos pela mesma empresa (todos de fora do concelho), enquanto que Caminha indicou o vereador Mário Patrício - o que se justificaria, face à "componente política" - e o arqº Victor Mogadouro, responsável técnico pela elaboração do PDM, mas de "muito recente ligação ao concelho".Na opinião do BE, deveriam ter escolhido um técnico com profundas raízes ao concelho, que "à competência reconhecida aliasse a afectividade e o conhecimento consolidado". [...] Evidenciando alguma apreensão face à forma como este concurso está a decorrer, o BE desafiou o Executivo laranja a "manter o mais aberto possível todo este processo, por exemplo apresentando publicamente as diversas propostas que entretanto surgirem a concurso, facilitando à cidadania caminhense o conhecimento do que está em causa e permitindo ao próprio Júri avaliar em tempo útil o sentimento da população relativamente às soluções possíveis[ ...]".

Nota: Com efeito, toda a vigilância cidadã é pouca quando grandes obras aproximam as construtoras e a banca das presidências das autarquias. Como do governo. A este respeito, os últimos anos ofereceram-nos vasta matéria relativamente à grande corrupção que grassa em torno dos poderes. 




Marcelo em Mafra

13 03 2010

"A política precisa de gente que já trabalhou na vida" Marcelo Rebelo de Sousa, Mafra, 13.03.10

Num discurso incisivo centrado na defesa da candidatura única, com bons argumentos principalmente visando, sem o citar, Passos Coelho, Marcelo também aproveitou para fazer o elogio categórico de Cavaco Silva, " neste momento histórico, o melhor, mas mesmo o melhor candidato à Presidência da República"

 




Mentir, mentira compulsiva

13 03 2010

"Viram um 1º ministro a mentir e a mentir tantas vezes que até se esquece que está a mentir" Marcelo Rebelo de Sousa, Mafra, 13.03.10, 16,15h.




Comissão de ética

11 03 2010

Na Comissão de Ética da Assembleia da República, face aos dois principais responsáveis da PT, Bava e Granadeiro, a quem incumbem as maiores responsabilidades na tentativa de substituir por razões de controlo político a empresa espanhola Prisa,detentora do controlo da TVI, adquirindo as respectivas acções, um deputado desempenhou com grande elegância, aprumo e inteligente argumentação o seu encargo: o dr. João Semedo. Tal operação, ao que tudo indica, e como não podia deixar de ser, foi apoiada ou comandada pelo próprio 1º ministro como se depreende, sem margem para dúvidas, das escutas relacionadas com a rede de corrupção do sucateiro de Esmoriz-Vara e &, validadas pelos magistrados de Aveiro - questão que só o mais obtuso dos cidadãos não percebe ou o mais fanático dos militantes do PS é que consegue negar.Ora nessa comissão,a escandalosa operação, montada com toda a evidênciqa pelo executivo do PS, e isto em regime democrático que é pelos vistos o que nos rege, e cujo objectivo imediato era afinal, como veio a acontecer, pôr na rua o casal Moniz a quem era imputada a linha crítica que incomodava o governo na mesma estação televisiva, está agora a ser escalpelizada na Assembleia. E o mencionado deputado tem vindo a destacar-se entre os elementos que foram destacados para proceder à inquirição.

O BE, um conglomerado de tendências políticas e ideológicas em busca de um líder, carecia de uma voz assim para compensar alguns desvarios esquerdistas, com destaque para a linha anarco-caviar muito influente em determinadas matérias do seu programa. Linha que, bem vistas as coisas, para gáudio do PCP, subtrai ao bloco uma boa parcela da sua eficácia eleitoral. Semedo, com suavidade e acerto, pôs Granadeiro titubeante, a arrogante serenidade fora de controlo, refugiando-se, cabeça baixa, num rol infindável de subterfúgios, mentindo descaradamente, mau grado a manta de provérbios de extracção alentejana a que se aconchegava para dissimular a falta de ideias e desencantar uma mais convincente linha retórica. Bava, mais fluente e melhor conhecedor do dossiês, saiu-se com mais sucesso da sua rábula. Mas só um tanso, ou funcionário do Largo do Rato, poderia subscrever as razões que avançou para ludibriar a comissão e todos os que seguiram a sessão. É de perguntar: porque temem Sócrates estes homens poderosos?




Madeira, crimes ambientais

10 03 2010

Passagens de um texto publicado no Jornal de Leiria por Ana Gomes, deputada do PS no Parlamento Europeu,    

" Madeira: o preço a pagar 

" Ninguém deu ouvidos aos ambientalistas da Quercus ou académicos, sistematicamente ridicularizados como especialistas em “palhaçadas” pelo Dr. Alberto João Jardim: já depois da tragédia, todos o ouvimos queixar-se de que ouvi-los seria “o preço a pagar pela democracia”. Mas, na verdade, estamos hoje a pagar o preço de não ouvir, democraticamente, estas forças da sociedade civil. E os madeirenses deverão perceber que estão agora a pagar, de facto, o preço pela falta de democracia na Madeira. [...] na Madeira é preciso que sejam assumidas responsabilidades políticas. Quem fez prevalecer a lógica da especulação imobiliária, quem não exerceu as competências de ordenamento territorial, de licenciamento urbanístico criterioso, de fiscalização municipal e assim concorreu para as condições que tornaram tão caro e doloroso este destemperamento da natureza?
Há lições a retirar. Desde logo, porque a UE assim o deve exigir: não só pagou boa parte da factura de muitas das infraestruturas agora destruídas pela enxurrada; é imperativo que os fundos europeus que agora deverão ser mobilizados para apoiar a reconstrução na Madeira não sirvam para financiar a repetição dos mesmos erros."




Violência infantil

08 03 2010

Assédio psicológico persistente, violentas agressões físicas, brutalidade pura, eis as competências e qualidades adquiridas e desenvolvidas em muitas escolas do país. Tudo isto condicionado pelo culto da violência e do sexo boçal, pesado e bruto, que as Televisões e a inimputável rede digital mundial, vulgo Internete - agora universalmente acessível, entre nós, com um simples click em qualquer magalhânica plataforma informática -, condicionado ainda pelos jogos electrónicos e a música de raiz anglo-saxónica explorando o mesmo culto da infra-cultura de bas-fonds, tudo, violência e sexo, abundante e livremente vertido em cataduptas ininterruptas sobre o frágil imaginário infanto-juvenil. Um incomensurável laxismo ético que parece não incomodar as famílias. Que os partidos políticos consentem e a sociedade pós-religiosa, consumista e hedonista, ingénua e criminosamente favorece sem qualquer espécie de prurido de consciência. Sempre existiram nas relações entre jovens essas brutais manifestações. Contudo, o seu incremento é uma realidade insofismável nas sociedades anómicas, desreguladas, que o triunfo do neo-liberalismo em todas as esferas sociais e culturais vem fomentando.  

Em Mirandela, um menino desesperado, após semanas ou meses de selvática perseguição por parte de colegas da mesma idade, foi repetidamente brutalizado física e psicologicamente. Sem outro arrimo para escapar aos algozes, suster o medo e sufocar a revolta, lançou-se às águas geladas do rio. Para morrer. O rio da terra onde esperava colher os frutos que, em princípio, a escola propicia a quem a frequenta e estima, como ser tratado com a hospitalidade e urbanidade que,em qualquer lugar,é devida a qualquer humano.

E agora aí, na definitiva solidão,inteiramente só, "jaz morto e arrefece, o menino de sua mãe".

Nos écrans televisivos vimos hoje as lágrimas de muitos conterrâneos que o quiseram homenagear. Como vimos as lágrimas e a impotência dorida dos familiares expressando a sua mágoa, a incredulidade e a revolta pela tragédia que lhes bateu à porta. Mas outros meninos continuarão por todo o país a sofrer em silêncio brutalidades semelhantes. Isto, numa sociedade identicamente cega e rapidamente amnésica, perante o abismo que vem abrindo no tecido já desconjuntado de normas e valores. E nos quais, sempre a modelar e a revitalizar, deveria assentar a convivência entre todos, como a esperança num futuro mais risonho.




Óscares

08 03 2010

Transcrevo este texto de Teresa Ribeiro extraído de um bolgue de que já esqueci a designação:  | 08.03.10 | 9 denúncia(s)

 

 

"Não me lembro de uma cerimónia dos oscares mais chocha do que esta. Onde estão os momentos de nostalgia em que se invocavam actores e cenas de filmes marcantes, que me faziam sentir passada por uma corrente que unia todos os cinéfilos do mundo? E que ideia foi aquela de apenas mencionar a atribuição dos oscares honorários excluindo da festa o justo tributo aos  contemplados? Esta versão speedy retira todo o glamour ao espectáculo. São 4h da manhã e estou a sentir-me roubada em pelo menos três horas de sono. Desconfio que amanhã, pelo menos até ao meio-dia, vou estar em estado de guerra."

É bem feito oh yankeedependente! Perder a noite para assistir a mais uma colossal operação de propaganda da cultura de massas norte-americana, que inunda o planeta com produtos, em geral, de baixíssima categoria, e tal qual um gigantesco eucalipto neutraliza o florescimento das restantes culturas do planeta, é um saboroso castigo.  

 




Tâmega

08 03 2010




Mentir

07 03 2010

"Se o primeiro-ministro mente, qual de nós não fica autorizado a mentir a torto e a direito, quando lhe convier", Vasco Pulido Valente, Público, 06.03.10.

Reflictam, então, sobre os calamitosos e tremendos efeitos, na sociedade portuguesa e na ética social que a rege, resultantes da passagem deste incrível governante pelo poder. Ora, exactamente como os inocentes ou ignaros eleitores de Isaltino, em Oeiras, centenas de milhar de eleitores e militantes socialistas, por sua vez, não se preocupam em ser por ele governados e ter o seu país sob a tutela de um mentiroso. E ainda por alguém, envolvido numa série de casos altamente suspeitos como este último - o processo Face Oculta -, onde entre varas e sucateiros é posta em causa a autonomia de opinião jornalística, o grande sustentáculo de qualquer democracia.




Mª Moura Guedes, fala

05 03 2010

O que relata o Diário de Notícias de 3 de Março :" Freeport: assessores do PM pressionaram investigadora

Manuela Moura Guedes afirmou hoje no Parlamento que o administrador da TVI lhe disse que a decisão de suspender o "Jornal Nacional de Sexta" da TVI partiu do socialista António Vitorino. A jornalista também acusou a nova direcção de informação da estação televisiva, que substituiu a anterior direcção que saiu em protesto pelo fim do jornal, de fazer uma gestão política do caso Freeport. E disse que também "também" os investigadores processo são pressionados. Bernardo Bairrão, na altura director geral interino da Media Capital, "disse-me [dois dias antes da suspensão do jornal] que havia um problema grave porque o jornal estava prestes a ser suspenso" e que a decisão vinha de Espanha - de Manuel Polanco e José Luís Cébrian, responsáveis da Prisa, dona da Media Capital, explicou.

"Disse-lhe que se [a decisão era de] Cébrian e Polanco, isso vinha de [José] Sócrates e ele [Bernardo Bairrão] disse-me que, desta vez não era o Sócrates, era o Vitorino", acrescentou. "Só há pouco tempo fiquei a saber que o tinha sido o escritório do dr. António Vitorino que tinha tratado do negócio da Prisa", empresa espanhola que comprou a Media Capital. "Ele disse-me que foi o Vitorino [quem intercedeu junto da administração da Prisa, empresa detentora da Media Capital, para suspender o Jornal de Sexta, editado e apresentado pela jornalista]", reiterou Manuela Moura Guedes.A jornalista revelou ainda que a suspensão do Jornal nunca lhe foi comunicada pela administração da empresa, mas sim pelo então director de informação da estação de Queluz, João Maia Abreu.A jornalista está a ser ouvida na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República na sequência de notícias que dão conta de um alegado plano do Governo para controlar a comunicação social.

Direcção da TVI faz "gestão política" das notícias

A jornalista Manuela Moura Guedes disse hoje no Parlamento que a actual direcção de informação da TVI faz uma "gestão política" das notícias sobre o caso Freeport, tendo decidido espaçar a informação divulgada.Citando uma informação publicada pela revista Sábado, Manuela Moura Guedes referiu que o director de informação da estação, Júlio Magalhães, explicou ter decidido "divulgar as notícias [sobre o caso Freeport] de forma mais espaçada"."Eu entendo que isto é fazer uma gestão política das noticias", disse a jornalista que está a ser ouvida na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura."Há documentos sobre o Freeport que estão lá desde Setembro, que implicam o sr. primeiro-ministro e não são postos em antena", criticou a jornalista, adiantando que Júlio Magalhães "terá as suas razões"."Os jornalistas vão ter com a direcção de Informação mas eles desvalorizam esses documentos", referiu, lembrando que "nenhuma da informação que foi posta por no 'Jornal de Sexta' foi alguma vez desmentida ou posta judicialmente em causa".A administração da Media Capital mandou cancelar o Jornal de Sexta, coordenado e apresentado por Manuela Moura Guedes, em Setembro do ano passado.

Venda da TVI à Prisa tinha como imposição afastamento de Moura Guedes

Manuela Moura Guedes afirmou que o negócio da venda da media Capital por Miguel Pais do Amaral à espanhola Prisa , realizado em 2005, já pressupunha o afastamento da jornalista."Eu fui afastada em 2005", sublinhou a jornalista à comissão de Ética, Sociedade e Cultura. Esse afastamento "foi uma imposição" para que a compra da Media Capital pela Prisa pudesse acontecer, disse, acrescentando que o jornalista da TVI Carlos Enes jantou com dois deputados do PS e um responsável do gabinete do primeiro-ministro, no qual foi avisado que ele próprio e Manuela Moura Guedes seriam afastados.

Investigadores do caso Freeport também são pressionados

A jornalista da TVI afirmou que "também" os investigadores do caso Freeport são pressionados, e não apenas os jornalistas, dizendo conhecer o caso de uma inspectora que "recebe telefonemas dos assessores do primeiro-ministro"."Não são só as redacções dos jornais que recebem telefonemas, também os investigadores do caso Freeport foram [pressionados]. A inspectora Alice [Fernandes], de Setúbal, recebe telefonemas de assessores do primeiro-ministro", afirmou Manuela Moura Guedes, acrescentando que a inspectora "é muito permeável a esses telefonemas".A jornalista está a ser ouvida na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República na sequência de notícias que dão conta de um alegado plano do Governo para controlar a comunicação social.Segundo a jornalista, "dois elementos do Ministério Público puseram o lugar à disposição porque a investigação do Freeport não estava a ser feita convenientemente por causa da inspectora Alice". A Polícia Judiciária de Setúbal é que coordena a investigação ao caso Freeport, relacionado com o licenciamento de um centro comercial em Alcochete quando José Sócrates era ministro do Ambiente. Moura Guedes disse ainda que quando o Jornal de Sexta, pelo qual era responsável, foi suspenso, na primeira semana de Setembro de 2009, estava preparada uma peça sobre o caso Freeport que, apesar da suspensão do programa, "acabou por ir para o ar até por insistência de Santos Silva [na altura ministro dos Assuntos Parlamentares, responsável pela pasta da Comunicação Social]".

A jornalista acrescentou que na sexta feira em que a peça foi para o ar, o director da Polícia Judiciária, Almeida Rodrigues, referiu, em declarações à Lusa, uma carta anónima de que a peça inicialmente daria conta mas de que a TVI nunca falou."Na peça não tratávamos nunca de uma carta anónima. As declarações foram feitas à agência Lusa antes de a peça ter ido para o ar. Quem faz campanha contra quem?", questionou a jornalista.As declarações de Almeida Rodrigues à Lusa sobre uma carta anónima faziam, contudo, referência à revista Sábado, que no dia anterior, véspera do jornal da TVI, adiantava que a PJ de Setúbal mandara juntar ao processo Freeport uma carta anónima que implicava directamente o primo de José Sócrates.Moura Guedes referiu ainda declarações do jornalista da TVI Paulo Simão na altura em que o Jornal de Sexta foi suspenso."Ele disse - no dia em que o Jornal foi suspenso - que saiu da TVI porque o director geral lhe disse que deveria seguir nos jornais que editava a filosofia do Jornal de Sexta. Soube depois que ele foi levado."




Bullying ou a escola não-directiva

05 03 2010

Fº José Viegas escreveu : "Foi também o idealismo dos seguidores de J. J. Rousseau que permitiu o suicídio de Leandro, um miúdo de 12 anos que se atirou às águas do Tua, em Mirandela, depois de ter sido humilhado e agredido por colegas seus. Para designar o fenómeno criou-se o conceito de ‘bullying’, que não é bastante nem ajuda a explicar por que razão a humilhação de colegas, na escola, se tornou tão preocupante. Os leitores de Rousseau, tal como o filósofo, acreditam na bondade dos ‘indivíduos’ e supõem que a sociedade os decompõe (os ‘indivíduos’ são sempre vítimas e, por isso, os agressores de Leandro já têm o correspondente apoio psicológico, que ele não teve). Não acreditaram que os ‘indivíduos’ eram capazes de aterrorizar de tal maneira um seu semelhante ao ponto de o levarem ao suicídio.[Na coluna do Correio da Manhã.]




PÂNTANO

04 03 2010

Da imensa galeria de múmias em que se tornou o partido que sempre se vangloriou de, como nenhum outro,  representar os ideais da liberdade e da justiça, praticamente apenas uma voz se faz ouvir com alguma clareza. A de Ana Gomes, lá de Bruxelas, a demarcar-se da desastrosa liderança socratina e do seu grupo de apaniguados. Que os restantes partidos, salvo uma ou duas excepções, não possuem um passado lá muito mais limpo,  é coisa consabida. Que, no passado, o PS terá pisado o risco variadas vezes e cometido gravissimas infracções à ordem democrática, como aliás o PSD, também ninguém duvida. Mas, felizmente, a sociedade portuguesa é outra, o mundo é outro, todos exigimos, e devemos exigir mais, muito mais, aos políticos que dizem representar-nos. Que proclamam zelar pelo bem de todos, pela defesa do país e da democracia. Ora, os casos que afundam a credibilidade do 1º ministro estão simultaneamente a destruir  o PS. E a afundá-lo igualmente com o seu chefe. Por tibieza, cobardia e seguidismo cego dos seus barões e restantes protagonistas partidários. Incapazes de se demarcarem da abusiva organização de angariadores de recursos - que passa por Varas e sucateiros e freeports- , e ainda uma descarada patrulha de controlo ideológico da comunicação social em que a cúpula governativa parece ter-se inteiramente especializado. Por colocarem, pois, barões e baronetes, os interesses pessoais e de seita à frente do interesse dos portugueses.

Escreve Ana: " À vara...[Publicado por AG] in CAUSA NOSSA" Corre-se o risco de afundamento cada vez mais rapido no pântano, se tiverem fundamento as noticias sobre as negociatas intermediadas à vara, a fazer o jeito ao pouco recomendável patrão das farmácias. Noticias chocantes, que ainda não vi desmentidas. Ora, quem não quer ser lobo - ou cordeiro - não lhe veste a pele..." Alusão de Ana Gomes a mais uma façanha de Vara, o ex-ministro PS. E ao negócio visando pressionar o governo - a troco de quê? - para satisfazer o insaciável lóbi das farmácias que João Cordeiro,o bastonário, com mão-de-ferro, controla. E que desta vez, via vara, obteve mais um triunfo.




Ícaro

01 03 2010

Ao que parece, o velho PS das liberdades, não se importa de vir a afundar-se no lodaçal para onde o socratismo miseravelmente o lançou. Os seus guardiões, os do círculo mais íntimo da guarda pretoriana, desesperados, perderam o norte e o sul, e ainda o senso, e agarram-se às mais atrabiliárias razões. E assim, olhar turvo e coração sem compasso, mergulham na areia as desnutridas cabeças.

Mas não sem antes, com impropérios tolos, tentar defender o indefensável. Vem, pois, o metralhante Assis e o troglodita Lello, acusar meio mundo, e demais portugueses, de insânia, má conduta e má fé. Já que o inocente e coitado do 1º ministro está a ser vítima de uma descomunal campanha destinada a "enlamear" o seu impoluto carácter e lisura política. Bode espiatório ou arcanjo - o ânimo um pouco esvaído e a planar sem rumo na antemanhã do voo picado -, das abissais cercanias marinhas das praias de Pathmos,agradecer-lhes-á a devoção e o esforço. 




Pérolas

28 02 2010

 Pérolas jardinescas que José Peralta, em 3 Jul 2009 às 15:07, divulgou na rede, e ora repescadas, em maré de sorte:

A propósito de “touradas” !14 de Fevereiro de 1997- Carnaval na Madeira- Manchete do semanário “Tal & Qual”:-Em cuecas, a toda a altura e largura da página 11-”Estou-me a ca...r para Lisboa !”- Nas páginas centrais:-”Quero que a Assembleia (da República) se f... !”-”Aquelas bestas” (os políticos do Continente).

26 de Julho de 1993-Quarteira-Festa do PSD:-”O PS é o clube das vacas loucas”.

2 de Agosto de 1992-Festa do PSD:-”O PS-Madeira é uma casa de meninas e o dr. Jardim Fernandes é a patroa”.

2 de Agosto de 1992-Festa do PSD:-”O PS é um bando de canalhas”.

14 de Agosto de 1993-Jornal “Público”:-”Estou-me nas tintas para a lei do segredo de Estado”.

18 de Maio de 1999-”Soares (Mário)revela “arrogância colonial”, é um”aldrabão reincidente”.Dada a “provecta idade do cavalheiro”,resta ao Governo da Madeira, desprezá-lo”.27 de Agosto de 1993-”Quem não está de acordo, rua !”

1 de Julho de1993-D.N. da Madeira:-”O ministro da República é o cinto de castidade da autonomia”.

25 de Julho de 1999-”António Guterres é mafioso, fariseu, aldrabão e caloteiro”.(in “Público” de 27 de Julho de 1999)

E ainda: “Mário Soares é o representante de satã em Portugal”.“Os jornalistas do Continente, são uns bastardos !E chamo-lhes bastardos, para não lhes chamar filhos da p... !”.

“Miguel Sousa Tavares é um biltre !” Quem é o autor destas magníficas jóias da Política Portuguesa ?É ALBERTO JOÃO JARDIM, CONSELHEIRO DE ESTADO, PRESIDENTE DO GOVERNO REGIONAL E DO PSD-MADEIRA..."




Título

28 02 2010

Título na 1ª página do SOL: "Procuradoria sob suspeita. No dia 24 de Junho, o PGR foi informado pessoalmente das escutas. A partir desse dia, as conversas mudam de tom e há troca de telemóveis. Quem avisou os visados?", 26.02.10




Mar, temporais

28 02 2010

Sob a vaga, em Moledo, a praia vai resistindo contra o paredão. No horizonte da imagem: a linha granítica que detém o mar. E Santa Tecla - obelisco azul; a Ínsua - navio à deriva. O tempo é o da rebentação das ondas.

A descarga das barragens do Minho Alto, na Galiza, ameaça as terras ribeirinhas. O estuário desata a superfície do espelho de água. Beleza inquietante. A passada do vento deixa a marca de um tumulto na paisagem.




Figo na Quarta república

26 02 2010

Nota de Pinho Cardão na Quarta República, aqui gostosamente transcrita : "Chamaram-lhe um figo... A Ongoing, através do seu jornal, Diário Económico, entrevistou o ex-futebolista Luís Figo em Agosto de 2009. Com perguntas muito precisas e concretas, no sentido de evidenciar o apoio de Figo a Sócrates, tais como:
- Faz uma avaliação positiva deste governo?

-No seu entender, era desejável que o actual governo ganhasse as eleições legislativas?
Mas, para que não restasse qualquer dúvida, o entrevistador da Ongoing, fez uma última pergunta, suprema, definitiva, de forma a obter resposta irrevogável:
- Fica claro em quem vai votar no dia 27 de Setembro?
E Figo correspondeu inteiramente e fez golo:
Eu vejo a energia de José Sócrates, a capacidade empreendedora, e espero que continue a ter essa capacidade de mobilizar o país. Bem precisamos!
Por mera coincidência, note-se, mera coincidência, seguiu-se a formulação de uma arrojada estratégia para promover o Tagus Park nos Estados Unidos da América e no Japão, o contrato com Luís Figo para o efeito e o pequeno-almoço com o 1º Ministro, coisas que obviamente nada têm a ver entre si.
Mas um futebolista retirado a promover um Parque tecnológico nos States e no Japão? Quer-me parecer que Luís Figo pensa melhor com os pés do que o pessoal executivo do Tagus Park com a cabeça!..."




Face oculta mais visível

26 02 2010

Quando nos mentem descaradamente, sobretudo quando confiamos um dia o nosso voto a um político que mente, não podemos largá-lo um só instante. Temos o direito e o dever cívico de nos convertermos em "animais ferozes".

Título de hoje no Destak: "Escutas do processo contrariam Sócrates", p. 8.

 A continuada mentira que nos é infligida é, pois, Vara que a comprova numa escuta agora revelada. Dizia este Armando Vara ao amigo Lopes Barreira, também arguido no processo Face Oculta, "que ninguém iria acreditar que Sócrates não soubesse do negócio, especificando que esta declaração era um erro trágico." Declaração proferida antes de 25 de Junho, quando as conversas entre os comparsas, fruto de uma fuga de informação alertando-os para as escutas, os obrigou a alterarem o teor das suas conversas para baralharem a Judiciária.




Vara, Isaltino e companhia

24 02 2010

Já repararam que neste caso do Taguspark temos a convergência destes dois eminentes estrategas financeiros e ex-ministros?! Um já condenado em tribunal, promovendo de  juízo em juízo a longa e clássica  chicana jurídica que levará à prescrição a sentença de 1ª instância, o outro a tentar desembaraçar-se da sombra comprometedora do sucateiro que organizara a vasta rede de corrupção espalhada de norte a sul do país. O bloco central (PS/PSD) na sua face mais esplendorosa. Isaltinos, Varas e companhia.




Comissão de ética

24 02 2010

Esta comissão de ética convocada pela Assembleia da República para averiguar as circunstâncias que envolveram as operações mafiosas visando usar a PT para comprar a TVI e assim neutralizar uma voz política incómoda para o governo, seguramente não vai concluir nada que se veja. Essas sombrias operações, atentatórias da democracia e do Estado de Direito - que o Procurador-Geral considerou como devaneios inocentes e daí ter blindado as escutas que provavam o delito -, as quais, o próprio Prof. Freitas do Amaral, amigo e ex-ministro de Sócrates mas probo jurista, vem agora comprovar que na realidade configuravam um crime atentatório do Estado de Direito. Como é sabido, as manigâncias na PT ( o seu Presidente declarou sentir-se "encornado" - a fórmula elegante é do próprio- ), foram orientadas por indivíduos instalados em altos cargos daquela empresa, e lá colocados por razões estritamente políticas, porquanto a sua experiência e competência jamais os indicaria para tão altas funções e cavalarias. Os imberbes rapazes saídos directamente da alcofa ainda húmida da Juventude Socialista estavam na PT para organizar as manobras referidas mas também para montar operações de financiamento ilegal dos cofres do partido do governo como se depreende do miserável episódio Taguspark, outra das ramificações do caso Face Oculta. Um lamaçal. Que até veio chamuscar a imagem bem gerida de um desportista que se prestou a vender o seu apoio político ao homem que faz da propaganda o seu método de afirmação pública. Aos eleitores não se apresentam razões, factos e argumentos para votarem numa propsta política, mas antes, a peso de ouro, cromos da bola sorridentes num pequeno almoço hoteleiro em esplanada solarenga. É assim que certos políticos tratam a nossa inteligência.

Ora se a dita comissão foi organizada para evitar uma Comissão de Inquérito, que Francisco Louçã e outros deputados têm exigido, e com toda a pertinência, já que os seus poderes permitem, de facto, ir muito mais longe no apuramento da verdade, contudo, com esta frágil e ilusória comissao de ética já se vai sabendo alguma coisa mais. Pese embora o desejo do Grande Procurador em manter na gaveta as provas comprometedoras de tais actividades ilegais. Assim, parabéns a Henrique Monteiro, director do Expresso, que não receia hoje nem nunca receou as represálias de Sócrates. Com frontalidade, afirmou na Assembeleia que o 1º ministro ousou assediá-lo telefonicamente durante mais de uma hora para o dissuadir a publicar no seu jornal a reportagem sobre a famosíssima licenciatura por si obtida com exames por Fax. E de pautas fabricadas ao domingo, e com 5 disciplinas do mesmo ano avaliadas pelo mesmo docente amigo [seguramente, a façanha está inscrita no Livro dos Records]. Embora se ignore se o aluno cumpriu as horas de presença nas aulas necessárias para justificar a ida a exame e se o docente proferiu as aulas das referiodas 5 disciplinas. Assim, este intrépido governante, não é um novato nestas andanças de procurar amordaçar a opinião jornalística e impedir os seus concidadãos de conhecerem a verdade relativamente ao seu perfil curricular, compretências e qualidade ética. Como se vê pelas afrimações categóricas de Monteiro é já é antiga esta ânsia de o 1º ministro transformar o sistema mediático numa ampla plataforma de propaganda do seu governo. Quem duvidará da sua palavra quando nos diz que ignorava tudo o que estava a tramar a sua jovem guarda - os Penedos e Pedros Soares - instalada na  PT?




Um entrevistador embolado

23 02 2010

Ao contrário das opiniões jornalísticas expendidas nos canais de TV que organizaram debates para comentar a entrevista de Miguel Sousa Tavares a Sócrates, 1º ministro, a prestação do entrevistador foi uma autêntica desilusão. Não que tenha fugido a colocar as questões que se impunham, mas sim por que não soube dar réplica ao entrevistado. Este, com efeito, pode levar MST para os seus tércios e aí praticar com soberba segurança e um sorriso de triunfo a arte da mentira. Em todas as categorias em que podemos dissecar esta desmaterialização do real, e em que o mesmo político se tornou já um exímio praticante (negação pura, omissão, ambiguidades, etc). E assim, Sócrates, pôde soberanamente sair vencedeor. O famoso jornalista não terá perdido a garra.Contudo, no seu exílio literário, parece ter perdido a mão para entrevistas deste gabarito. Uma Judite de Sousa, mesmo sujeita aos condicionalismos da televisão pública, creio bem, teria feito muito melhor.   

 Mas a explicação será talvez mais terra a terra e mais grave para o entrevistador: falta de preparação, desconhecimento do dossier. E daí vendo-se impotente para encurralar nas tábuas o seu antagonista e incapaz de usar as bandarilhas mortíferas que teria ao seu dispor. É o que Valupi, do blogue Aspirina B também entendeu:

"Acresce que o seu tom [de MST] foi o de promiscuidade desleixada com o entrevistado, quando o que se pede com Sócrates – tanto por ser o Primeiro-Ministro como por ser combativo na discussão – é uma preparação técnica igual ou superior nas matérias onde se quer ir ao fundo dos problemas. Bons sinais na 1ª parte, entrevistador queimado na 2ª parte."

 




Verdade, mentira

21 02 2010

Do blogue 31 da Armada, um texto de Nuno Gouveia : "A verdade ainda conta na arena pública? Nos últimos tempos banalizou-se a ideia que é normal que os responsáveis públicos utilizem a mentira como método de intervenção. Agora foi a vez do Procurador Geral da República ser apanhado a mentir. Será que os valores da democracia e do serviço público se coadunam com esta forma de estar? Ainda me recordo do tempo em que ministros se demitiam por muito menos, quando a sua honorabilidade era colocada em causa. Nos tempos que correm, estas falsidades são relativizadas, e nada acontece a quem é apanhado nas teias de mentir"




Madeira

21 02 2010

Eis o breve texto, comovente e literariamente brilhante, suscitado a Francisco José Viegas pelo tsunami terrestre que destroçou as encostas da ilha da Madeira. Torrente de água, lama e pedra, abrupta e desmesurada, desabando das comportas do céu, a arrasar paisagens, caminhos, moradias, tudo levando, cegamente, brutalmente, à sua frente, bens e haveres, despojos humanos e esperanças para o abismo do mar :  "A tragédia só tem um nome: tragédia. A força da natureza destruiu uma parte desse equilíbrio entre ela mesma e o povoamento da Madeira. Uma das mais belas cidades portuguesas, ou a mais bela, o Funchal, ficará abalada durante muito tempo por essa tragédia. Ao recordar a beleza profunda, irremediável e fantástica dos seus cerrados, das suas florestas, picos, falésias, do seu rumor ilhéu, não se pode senão ficar do lado dessa gente orgulhosa que sofre com o isolamento e a claustrofobia – e, agora, com a destruição. Mais tarde, poderemos discutir o ordenamento, a ocupação do território, o urbanismo. Agora, silêncio, compaixão, ajuda e pudor. Mesmo se a memória nos atraiçoa em nome da beleza transitoriamente perdida do Funchal, uma varanda humana e luminosa sobre o mar. " F.J. Viegas in Correio da Manhã.




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